Jéssica Santos de Oliveira Doring

Olá, meu nome é Jéssica. Desde pequena sempre reclamei para minha mãe que eu não escutava direito, mas ela achava que era uma brincadeira minha. Aos 7 anos eu já tinha plena noção de que não escutava, e expliquei para minha mãe e ela procurou médicos através do Sistema Único de Saúde (SUS). Porém os pediatras disseram que o meu ouvido estava limpo e não tinha nada. Procuramos médicos particulares quando eu já estava com 8 anos e eles fizeram alguns exames, porém o mesmo resultado, de que eu não tinha nada de errado. 

Assim vivi por alguns anos, até quando decidi entrar no mercado de trabalho, aos 17 anos. Já tinha passado na entrevista de emprego e fui para a etapa de exames médicos, e um deles, o principal, que era a audiometria, apontou a minha surdez do ouvido esquerdo. Resultado, não pude ingressar na empresa pois a minha condição auditiva poderia ser prejudicada. Consegui outros trabalhos sempre sem contar sobre minha perda auditiva, porém eu sempre procurava consultas em otorrinolaringologistas para descobrir o meu problema, mas demorava 1 ano para cada consulta…Quando consultei, pediram alguns exames, porém tinha uma fila no sistema público em que são anos para conseguir uma tomografia, audiometria, e outros… 

Aos 21 anos mudei de local de trabalho, de um shopping para um corredor de aeroporto, e todos os dias estava sentindo dores, porém continuei trabalhando. Passados 5 dias no novo local de trabalho acordei e segui minha rotina normalmente, até que precisei sair para trabalhar e percebi que quase fui atropelada por uma moto, pois não ouvi seu barulho e nem a buzina. Mandei mensagem para meus pais, que me levaram em uma emergência otorrinolaringológica, pois era um sábado, e saí de lá com o pré-diagnóstico de surdez súbita do ouvido direito, ou seja, completamente surda e com encaminhamento para retornar ao especialista na segunda-feira.

Segunda-feira eu estava lá, completamente surda no lado direito e com um familiar para me ajudar e orientar. Fiz uma audiometria que comprovou a surdez profunda, e foram pedidos exames como coleta de sangue para descobrir se tive alguma doença, ressonância magnética, tomografia, e já me passaram um medicamento para tratamento. Em uma semana estava ouvindo melhor, porém as dores nos dois ouvidos era horrível, passei 4 meses indo todas as terças em consultas para acompanhar a melhora do ouvido direito, e então questionei sobre o meu ouvido esquerdo, pois já tinha comunicado que não escutava. Eles conferiram a tomografia, ressonância e outros exames, e no histórico familiar também não constava nada, mas somente na ressonância magnética e tomografia que demonstrou que eu tenho uma má formação congênita. Questionei os médicos se tinha alguma opção para escutar, passar por cirurgia ou aparelho auditivo, porém até o momento, nenhuma solução.

Bem, essa é a minha história, sou surda unilateral do ouvido esquerdo e só consegui o diagnostico aos 21 anos. Tenho dificuldade em ser reconhecida como surda perante a sociedade, pois me comunico normalmente, e por lei só é deficiência auditiva quando a surdez é bilateral.