HELENA CUBERO

Me chamo Helena, tenho 24 anos, moro no Rio de Janeiro, sou psicóloga e uma surda oralizada que ouve. Tudo começou na minha infância. Meus pais perceberam que eu não balbuciava mais e nem correspondia quando me chamavam pelo meu nome ou pelos barulhos. Com isto, eles decidiram me levar ao otorrino e saíram de lá com o diagnóstico: surdez profunda bilateral. A partir daí, comecei a usar AASI em ambos ouvidos, mas além disso, meus pais continuaram a correr atrás de opções que poderiam melhorar a minha vida. Foi aí que o Implante Coclear apareceu em nossas vidas.

Quando a minha mãe conheceu esta tecnologia, ela ficou maravilhada que queria me implantar da cabeça até os pés. Aos 3 anos, realizei a minha primeira cirurgia do Implante Coclear. Depois disso, a minha vida mudou completamente. Passei a conhecer o mundo dos sons aos poucos. Não foi fácil chegar até aqui. Tudo isto foi graças a minha equipe fonoaudiológica da Crifal, ao meu otorrino Dr. Orozimbo Costa e a minha família. Durante a minha vida toda, frequentei terapia fonoaudiológica e passei a falar bem.

Com isso, nunca necessitei de Libras. É importante lembrar aos responsáveis que a criança não sairá falando e escutando tudo depois que a cirurgia é realizada. É preciso de muito apoio e amor neste processo. O Implante Coclear me proporcionou tantas coisas. Eu sempre estudei em colégios regulares, fiz balé por 6 anos, viajei pelo mundo, falo inglês, fiquei nos Estados Unidos durante 6 meses e me formei em Psicologia. Eu quero mostrar que a surdez nunca me limitou e que apesar de ter uma deficiência, eu sou capaz de realizar meus sonhos. Afinal todos nós somos capazes. Tive muitas dificuldades durante o ensino fundamental.

Eu sofri bullying por conta dos meus aparelhos que eram aparentes porque eu prendia o meu cabelo quando eu ia para a escola e com isso, eu passei a me fechar. E com o passar do tempo, isto me mostrou que não devemos ligar para a opinião dos outros e me tornei uma pessoa forte. Temos que lembrar que o que nos limita é a nossa vergonha da surdez e não a própria surdez. Nós ficamos com receio de sermos julgados, mas devemos nos adaptar à nossa realidade e viver como queremos! No ano passado, eu realizei a minha segunda cirurgia do Implante Coclear e o mundo dos sons passou a ser mais gigantesco. Ouvir com um ouvido é demais e imagina com os dois? Estou vivendo novamente tudo aquilo que passei durante a minha infância e está sendo incrível.

Estou indo a terapia fonoaudiológica, descobrindo mais sons, me conhecendo melhor e iniciei a pós-graduação em Neuropsicologia e Reabilitação Cognitiva. Eu sou imensamente grata aos meus pais por eles me auxiliarem e estarem sempre ao meu lado. E agradeço a Paula Pfeifer por criar este projeto incrível que mostra a diversidade que existe na deficiência auditiva e que há tecnologias que trazem inúmeras possibilidades para as pessoas surdas hoje em dia. Eu apoio #SurdosQueOuvem porque quero compartilhar a minha história e mostrar ao mundo o quanto somos capazes mesmo com a nossa deficiência e que podemos conquistar nossos sonhos. E foi através do Crônicas da Surdez que sai do armário da surdez. Passei a me sentir mais calma e feliz por saber que eu não era a única e que a surdez não é um bicho de sete cabeças. Com isso, passei a assumir a minha surdez para meus amigos e para outros através de posts e vídeos nas redes sociais. Agora quero compartilhar a minha história para o mundo inteiro…

Mil beijos sonoros,
Helena